segunda-feira, 21 de setembro de 2020

LUCIDEZ E SAÚDE NAS RELAÇÕES/CANAL LILI ESPAÇO REFLEXÃO

LUCIDEZ E SAÚDE NAS RELAÇÕES

Todos desejamos ter amor, harmonia e paz nas relações. 

Porém há dualidade em nosso comportamento, porque apesar de todos desejarmos o amor, costumamos carregar nossos conflitos existenciais para as relações, tornando o relacionamento conflituoso também.

E isso acontece porque não nos conhecemos em profundidade.

Temos que aprender a lidar com nossas próprias questões, senão o amor encontra barreiras em seu caminho natural. 

Aquela energia do sentimento fica retida por conta de nossos conflitos emocionais, e esses conflitos se manifestam em nossas relações. 

Joanna de Angelis diz em sua obra, Encontro com a paz e a saúde:
"Quando os conflitos interiores não se encontram solucionados e a imaturidade predomina no comportamento psicológico do ser, a sua afetividade é instável, perturbada, exigente, nunca se completando".

Enquanto não solucionarmos os nossos conflitos, não seremos bem sucedidos nas relações. Porque projetamos no outro os nossos conflitos internos. 

Precisamos encontrar as raízes onde esses conflitos se estabelecem.

O amor está presente na alma de todo ser humano em estado latente, mas muitas vezes não encontra condições psicológicas plenas para se estabelecer.

Precisamos encontrar a nossa própria essência verdadeira, identificar os conflitos existentes em nossa alma para poder parar de culpar sempre o outro pela dificuldade na relação.

É muito comum as pessoas falarem que têm problemas na relação porque o outro é muito difícil não é?

Mas a causa dos conflitos nos relacionamentos em geral e particularmente na área afetiva, é a imaturidade psicológica da pessoa.

Normalmente cobramos dos outros atitudes que ainda não temos e isso vai ampliando as bases do conflito, e isso ocorre porque quando não conhecemos, e muito menos resolvemos nossos conflitos internos, tendemos a transferir para o outro esses conflitos.

Enorme parte dos conflitos emocionais que temos na alma, procedem de nossa infância. Por traumas, abusos, bullying, medos, vergonhas sofridos quando crianças.  

Sobre isso Joanna De Ângelo nos esclarece  novamente dizendo:
" Inevitavelmente porém, passam a fazer parte das reflexões, em todas as pessoas, os conflitos do lar que cada um procede, as experiências infantis menos felizes, as imposições injustas a que foram submetidos, produzindo- lhes sensações de desamparo e de desconforto..."

Por Exemplo, uma pessoa que é insegura e muito desconfiada nas relações, isso é sinal de que essa insegurança pode ter sido estabelecida na infância, por uma educação que gerou instabilidade, medo, desamparo, como criança criada por pais alcoólatras ou drogados por exemplo, ou seja, os traumas são trazidos para a relação.

Neste caso, não é feita uma releitura na atualidade da vida adulta, daquilo que se passou na infância, gerando baixa auto estima no ser que acaba por não se achar passível de ser amado. 

Existem quatro passos recomendados para se alcançar lucidez e saúde nas relações: 
  
1° Passo: Aceitação e identificação do conflito;
2° Passo: Releitura do sentimento conflituoso; 
3°Passo: Respeitar o Eu interno; 
4°Passo: Ter equilíbrio na relação, não ser excessivamente introvertido nem extrovertido na relação.

O primeiro passo é se aceitar como é, admitir que existe um conflito de alma que atrapalha nas relações.

O Segundo passo: deve-se começar a fazer uma releitura dos fatos ocorridos no passado que trouxeram dor, insegurança, tristeza, vergonha, medo e assim por diante. É preciso relembrar sim destes fatos, trazê-los à tona, mas de uma forma mais inteligente, mais coerente. 

Devemos perceber que estes fatos geraram estes sentimentos negativos como experiências que vivenciamos, mas que passaram. 

 Devemos entender que éramos crianças mas hoje como adultos, precisamos ter maturidade e inteligência emocional para perceber que nossos pais fizeram o que tinham condições de fazer naquele momento de suas vidas. Porque assim como nós, eles também tinham seus conflitos, sofrimentos e dilemas existenciais.

É preciso ter a compreensão de que todos estamos a caminho da evolução, todos estamos em aprendizagem aqui neste Mundo.

À partir destas compreensões, é possível 
ir transformando esse clima de desamor para um clima de amoromosidade.

O terceiro passo: É preciso respeitar o Eu interno, siginifica que não devemos dizer sempre sim para as pessoas para agrada-las, ou para poder conviver com alguém ou na sociedade. 

Devemos consultar nosso interior primeiro, não podemos nos distanciar de nossa alma, para não perder a conexão conosco mesmo. 

O psicoterapeuta John Welwood diz o seguinte sobre isso:
"Quando não nos sentimos seguros no amor, caímos nas garras do medo. "

Teremos medo sim vez ou outra, mas quanto mais vamos nos preenchendo de fé, afetividade, e de atitudes coerentes e compatíveis com quem nós somos e com o que almejamos na vida, vamos caminhando com o medo, mas vamos fazendo nossas escolhas conforme nossa alma dita. 

Quanto mais vamos nos conhecemos, quanto mais vamos nos libertando dos traumas e sofrimentos do passado, mais somos capazes de vivenciar o amor. 

O quarto passo: o que é ter equilíbrio na relação? Nem ser muito introvertido e nem muito extrovertido. Tanto o excesso de introversão como de extroversão na relação  são negativos.

Quando a pessoa é muito introvertida e se fecha é muito negativo. É imprescindível na relação, falar sobre os anseios, receios, tristezas....para que a outra pessoa possa entende-lo, caso contrário nenhum relacionamento sobreviverá.

É importante o aprendizado de falar, o silêncio na relação faz com o outro se sinta negado na sua identidade, no seu valor, posto de lado.
O silêncio na acaba com relação. 

É preciso sempre chamar o outro para o diálogo calmo e tranquilo, porque senão viram dois estranhos morando na mesma casa. 

Muitos estão brigando agora na pandemia porque não tinham um relacionamento propriamente dito, tem se constatado muito individualismo, um anulando o outro, e agora com a maior convivência muitos casais têm percebido isto.

A extroversão exagerada por outro lado, torna a pessoa superficial, e o indivíduo não consegue domar seus próprios impulsos, se tornando explosivo muitas vezes.

Pessoas exageradamente extrovertidas Têm também necessidade de poder, de se sentir superior, de dominar a relação.

Muitas queixas na relação causadas como resultado de pequenas insatisfações que fazem parte do cotidiano, empurram para a saturação da relação, que podem levar a separação. 

Antes o melhor é o equilíbrio, mantendo o diálogo Franco como comentamos, falando quando se sente triste, desconsiderado.

A emoção guardada vai se transformando em mágoa e vai corroendo por dentro.

E a pessoa se torna queixosa, perde o prazer na convivência com outro.

O amor e mágoa parecem sempre andar de mãos dadas, não importa quanto se ame alguém, raramente uma pessoa passa por cima do seu medo; mágoa e desconfiança.

É preciso se questionar como você está lidando com sua mágoa? 

Muita vezes pessoas que se amam, por causa de suas inseguranças, deixam acabar a relação, por conta das barreiras dentro de si que não foram transpostas.

Carl Jung diz sobre isso que:
"Onde tem a vontade do poder, não predomina o amor". 

Então quem quer ser obedecido não busca uma convivência harmônica, porque descarrega no outro os seus conflitos, de maneira a sentir-se superior em vista dos valores internos que gostaria de ter mas não possui.

Joanna de Angelis novamente nos esclarece sobre isto dizendo o seguinte:
"...Ninguém deve se anular e ceder sempre, porque ninguém nasceu para a submissão, a pessoa que sempre cede mostrando uma falsa bondade, na verdade tem uma covardia moral que o aturde, o medo de perder a convivência com outro, a insegurança, tornando se desajustado e infeliz...". 

Devemos obedecer nossa alma em primeiro lugar.

Encerrando nossa reflexão, duas pessoas devem na convivência, caminhar na construção da própria individualidade. 

Ambos devem reconhecer o próprio valor em primeiro lugar, auto amar-se, auto admirar-se.

Temos que aprender a nos relacionar, através do diálogo.

Quando uma da partes têm necessidade de estar sempre acima do outro, também não cresce. 
É preciso olhar para o outro, ouvir a opinião do outro sempre, para poder crescer.

Nós devemos caminhar com o outro e não pelo outro.

Cada um tem sua missão na vida, independente da relação, cada um deve viver sua missão, não se deve usar a relação como fuga da própria missão.

Devemos seguir inteiros, ainda que dentro de uma relação.

Precisamos pacificar nossos conflitos, para poder ir inteiro pra uma relação. 

Para ter um relacionamento pleno e saudável com outro pessoa, primeiramente é preciso que se esteja pleno e saudável consigo mesmo. 

Você se vê como uma pessoa adequada, interessante e boa o suficiente, você se aceita como é?
Quando nos aceitamos também aceitamos o outro.

OS BONS RELACIONAMENTOS SÃO FORMADOS NÃO POR DUAS METADES, MAS POR DUAS PESSOAS INTEIRAS EMOCIONALMENTE.
SE CURE DE SEUS CONFLITOS PARA NÃO PROJETAR PARA O OUTRO SUAS EXIGÊNCIAS, CARÊNCIAS E CRÍTICAS.
PERMITA AOS OUTROS SER COMO SÃO, E SEJA VOCÊ, CADA VEZ MELHOR.
Muita paz e até a próxima.






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